Afinal, qual é o papel do professor?

Data: 15/10/2013 - Por: Ben-Hur Ferreira, coordenador da Escoex

               

               Para Euclides da Cunha, “O sertanejo é antes de tudo um forte”. Parafraseando o escritor, o professor é antes de tudo um forte. Forte para enfrentar a si mesmo, significa cultivar permanentemente a curiosidade pelo saber, lutar constantemente contra a acomodação, não fossilizar o saber, desconfiar dos dogmas e ter como atitude de vida a lição socratiana “só sei que nada sei”, fazendo o espírito borbulhar sempre, ansioso de novos conhecimentos.

 

        Ainda na esteira de Euclides da Cunha, o vocábulo forte retém em torno de si muitos significados, pois, o professor é forte para entender o seu papel na sociedade do conhecimento, sociedade essa da inovação tecnológica, da produtividade e do desenvolvimento econômico. Essa sociedade exige um educador que pensa a construção do saber estabelecendo uma relação entre educador e educando.
 
        Conforme lecionou Paulo Freire, deve-se evitar a educação do tipo bancário, onde o mestre deposita seus conhecimentos na cabeça do aluno, pois, na atualidade o aluno não é passivo, ele tem acesso à informação. Assim, o papel do magistério é ajudá-lo a formar conceitos, filtrar informações, desenvolver o senso crítico, mergulhar na tradição dos clássicos, divisando outras esferas do conhecimento estando aberto às novidades, à troca de experiências e saberes que se fortalecem no encontro insubstituível do professor com o aluno.
 
        O professor é um forte na medida em que não confunde aprendizagem e educação. Nos ensinamentos de Luc Ferry, não se pode confundir aprendizagem e educação. Nesta assertiva o diferencial é que “a aprendizagem dura apenas um tempo, e é interrompida assim que o objetivo é alcançado, enquanto a educação humana não tem fim, só é interrompida pela morte”. Compreender a educação como um processo permanente fortalece na polis o status do professor como elemento decisivo na construção da harmonia e da felicidade da polis.
 
         Ele é forte para resistir ao corporativismo e não temer as avaliações. O professor do século XXI, consciente da sua importância busca constantemente melhor remuneração para seu trabalho. Vive o magistério como vocação, mas não abre mão de ser tratado com profissionalismo. Entretanto, resiste à tentação de enxergar a realidade apenas pelo viés corporativista. Vai além, tem sede de conhecimentos, quer o reconhecimento, quer ser protagonista de uma educação de qualidade que não teme as avaliações, sabe que o esforço, o mérito constituem-se em valores que devem compensar mais os que deles fazem uso. Nos preceitos de  Paul  Valéry "A educação profunda consiste em desfazer a primeira educação", o professor da atualidade compreende que esse desfazer é (re)construir o saber sempre....em um processo contínuo.
 
(Ben-Hur Ferreira é coordenador da Escoex/TCE-MS)